
A herdeira da colecção de arte e vítima do Holocausto Nora Stiasny terá de pagar 11,3 milhões de dólares (10,5 milhões de euros) ao Estado austríaco pela devolução imprópria de um quadro de Gustav Klimt, disse sexta-feira o Ministério da Cultura austríaco.
Após anos de negociações, o governo austríaco e os herdeiros de Stiansy chegaram a um acordo segundo o qual este último pagará 10,5 milhões de euros ao Estado pela devolução incorrecta de um quadro por Klimt, pois em vez de ‘Apfelbaum II’, a família entregou ‘Roses under the Trees’.
Os fundos serão investidos na Casa da História Austríaca, um museu histórico que acaba de se mudar, de acordo com o Ministério da Cultura.
Nora Stiasny, deportada nazi e vítima do Holocausto, foi forçada a vender a pintura a óleo do pintor austríaco Klimt ‘Apfelbaum II’ devido a perseguição.
Mais tarde, em 2001, o Conselho Consultivo para a Restituição de Obras de Arte recomendou ao Governo austríaco que devolvesse o quadro acima referido aos descendentes de Stiansy do Museu Belvedere em Viena, acreditando que era o quadro que ela foi obrigada a vender em 1938, o ano da anexação da Áustria à Alemanha nazi.
Contudo, os peritos concluíram mais tarde que o quadro originalmente vendido por Stiansy não era ‘Apfelbaum II’ mas ‘Rosen unter Baeumen’ (Rosas sob as Árvores), também de Gustav Klimt, que foi retirado do Musée d’Orsay em Paris – onde tinha sido guardado desde 1980 – e devolvido aos herdeiros da família.
Nessa altura, porém, a família de Stiansy já tinha vendido ‘Apfelbaum II’ e os actuais proprietários, após anos de negociações, não concordaram em vender ou devolver a obra ao Estado austríaco, considerando a pintura como sua propriedade privada.
«Tanto os herdeiros como o governo austríaco tentaram então contactar os actuais proprietários do ‘Apfelbaum II’ relativamente a uma possível reaquisição. Contudo, não demonstraram qualquer interesse em encetar um diálogo correspondente», afirmou a declaração do Ministério da Cultura austríaco.
Andrea Mayer, responsável pela arte e cultura, salientou na declaração que «embora seja doloroso que não haja possibilidade de devolver o quadro ‘Apfelbaum II’ à Áustria», ela está satisfeita por a «longa e complicada história» do regresso do quadro ter chegado ao fim. Recordou também que este e outros casos de devolução de obras de arte «se baseiam na exclusão sistemática, perseguição e assassinato de inúmeras pessoas durante o Nacional-Socialismo».
Fonte: (EUROPA PRESS)






