
Aldo Rebelo, ministro da defesa do ex-presidente brasileiro Dilma Rousseff, advertiu que a remoção dos extractores ilegais de ouro da Amazónia, como pretende o novo governo, não será fácil, e apelou à legalização da situação destas pessoas em benefício dos povos indígenas.
Rebelo também argumentou que «criminalizar» estas pessoas, acusadas de serem parcialmente responsáveis pela crise humanitária e alimentar na região, é contraproducente, uma vez que muitas destas comunidades indígenas «recebem dinheiro» deste tipo de actividade.
«Entre os Yanomami, eles apoiam a mineração. Isto cria conflito entre eles porque alguns o apoiam e recebem dinheiro e outros são contra», disse Rebelo, citando o caso específico do grupo étnico Cintas Largas, que trabalha na extracção de diamantes nos seus territórios localizados entre Rondónia e Mato Grosso.
Neste sentido, optou, como fez a anterior administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, pela regularização do trabalho destas pessoas, pois desta forma as comunidades indígenas receberiam o pagamento dos direitos de exploração das suas terras e com elas poderiam pagar a melhoria dos serviços.
«Há centenas de milhares de brasileiros que vivem ilegalmente. Eles já foram empurrados para a ilegalidade pela omissão do Estado», disse Rebelo, que prevê que despojar estas pessoas deste trabalho poderia levá-las a cair nas mãos dos traficantes de droga.
Ao mesmo tempo, defende que a legalização desta actividade beneficiará também o ambiente, pondo fim a práticas nocivas como a utilização de mercúrio que envenena os rios, uma das questões denunciadas pelas comunidades indígenas, relata ‘O Globo’.
Rebelo baseou os seus argumentos na Constituição Brasileira, cujo artigo 174 contempla o papel do Estado em favorecer a «organização das actividades mineiras em cooperativas, tendo em conta a protecção do ambiente e a promoção económica e social dos extractores», recordando que em 2008 Luiz Inácio Lula da Silva tentou fazer algo semelhante com o Estatuto dos Mineiros.
Considerado durante o seu período político como parte da bancada ruralista na Câmara dos Deputados, em 2012 – quando era Ministro dos Desportos sob a tutela de Dilma – participou como relator do Código Florestal, o que envolveu alterações na legislação ambiental em áreas protegidas.
No entanto, as associações indígenas, tanto estatais como não governamentais, têm vindo a apontar para a extracção irregular de ouro e outras pedras preciosas em território indígena como parte do problema de insegurança e problemas humanitários experimentados por estas comunidades.
Entre as novas medidas propostas pelo novo governo de Lula da Silva está a de dar luz verde a novas demarcações protegidas, bem como a «eliminação» através de uma operação conjunta dos Ministérios da Justiça, Defesa e Ambiente das infra-estruturas e instalações improvisadas em território indígena de todas estas estruturas ilegais.
Fonte: (EUROPA PRESS)






