
O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, disse terça-feira que um possível acordo entre a Ucrânia e a Rússia para uma zona de exclusão militar na central nuclear de Zaporiyia e nas suas imediações, o que evitaria quaisquer acidentes nas instalações, «não está muito longe».
Num discurso ao Parlamento Europeu, o Sr. Grossi fez um relato dos esforços diplomáticos que a agência tem vindo a desenvolver nos últimos meses com Kiev e Moscovo para assegurar que não haja ataques nas proximidades da fábrica.
«A zona que estamos a exigir significaria que a Rússia se absteria de lançar foguetes ou de lançar artilharia. Penso que precisamos de uma decisão política, porque já sabemos o que pode e deve ser feito de um ponto de vista técnico para respeitar esta zona», argumentou ele.
«Não estamos longe de chegar a este acordo», disse aos eurodeputados após uma viagem à região para promover o acordo. Segundo ele, as rondas de conversações para alcançar o pacto continuam, salientando que um dos problemas que existe é que qualquer medida é tomada a organismos militares.
«À minha mesa não estão apenas diplomatas, mas também militares, e muitos factores têm de ser combinados», explicou Grossi, embora tenha sublinhado que é do interesse comum dos ucranianos e dos russos chegar a um acordo para evitar incidentes nucleares.
No que respeita ao risco de uma catástrofe nuclear, o chefe da agência atómica salientou que não é necessário que as bombas cheguem à central nuclear, como disse ter acontecido no final do Verão e em Novembro, mas que há um risco de danos se as linhas de alta tensão caírem.
«Não sei quanto tempo mais teremos sorte em evitar um acidente», disse, insistindo na urgência de acordar uma zona desmilitarizada, depois de a fábrica de Zaporiyia ter sido palco de combates no passado.
«A CONFORMIDADE DO IRAN COM O ACORDO NUCLEAR É ZERO».
Grossi também comentou a situação relativamente ao acordo nuclear com o Irão, um pacto que a UE tem vindo a tentar restabelecer há um ano e meio mas que, no meio da deriva repressiva de Teerão e do seu apoio militar à Rússia na guerra da Ucrânia, continua bloqueado.
«Hoje em dia é um acordo vazio. Ninguém o declarou morto, mas nenhuma das obrigações que contém está a ser cumprida e todos os limites contidos no acordo foram violados em várias ocasiões», lamentou, insistindo que o Irão está a enriquecer urânio até 60%, ou seja, para fins de armamento.
Por todas estas razões, e depois de explicar que Teerão mantém que não é obrigado a seguir o acordo enquanto os Estados Unidos não levantarem as suas sanções, o diplomata argentino concluiu que «o nível de compromisso do Irão e de implementação do acordo nuclear é zero».
Fonte: (EUROPA PRESS)






