
O governo chinês no sábado deu ao Chefe do Executivo de Hong Kong John Lee o poder de limitar ou vetar o trabalho de advogados estrangeiros em casos envolvendo a segurança nacional.
A decisão, que afecta a tradição judicial na antiga colónia britânica, volta a pôr em causa a independência do poder judicial na região administrativa especial chinesa, onde os procuradores e advogados recorrem frequentemente a advogados estrangeiros, de acordo com o «South China Morning Post».
A mudança surge pouco depois de a magistratura de Hong Kong ter atrasado o julgamento do magnata dos meios de comunicação social Jimmy Lai até Setembro. Em Novembro, o próprio Lee tinha pedido ao Comité Permanente do Congresso Nacional Popular da China que intercedesse depois de o Departamento de Justiça ter tentado bloquear o advogado britânico Timothy Owen, que está a dirigir a sua defesa.
Agora, os críticos salientaram que a intervenção de Pequim nestas matérias mina a independência judicial de Hong Kong, especialmente em casos como o de Lai. O Comité Permanente assinalou que os tribunais de Hong Kong devem dar luz verde antes de permitir a intervenção de qualquer advogado estrangeiro.
Na sexta-feira, Lee disse que tais decisões afectam apenas «uma pequena área», uma vez que apenas dizem respeito a advogados que tratam de casos de segurança nacional. «Para além disso, ainda são, na sua maioria, bem-vindos», disse ele.
Lai, que está detida há quase dois anos, enfrenta uma possível sentença de prisão perpétua ao abrigo da lei de segurança nacional de Hong Kong depois de ter sido acusada de conspirar com forças estrangeiras para interferir nos assuntos internos de Hong Kong.
O fundador do jornal anti-governamental ‘Apple Daily’, agora encerrado, é uma das vozes críticas mais influentes de Hong Kong e um crítico do Presidente Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês.
Fonte: (EUROPA PRESS)






