
As organizações de direitos humanos apelaram ao presidente da Argentina, Alberto Fernández, para encontrar uma «solução política» para a libertação do líder indígena Milagro Sala, condenado a 13 anos de prisão por desvio de fundos públicos.
A Assembleia Permanente para os Direitos Humanos (APDH) da Argentina e as Mães da Linha Fundadora da Plaza de Mayo indicaram que o presidente «tem realmente a vontade de a perdoar», observando que «(Fernández) se comprometeu a fornecer uma solução».
Eduardo Tavani, da APDH, insistiu que «o mais importante é a solução política»: «Foi isso que viemos pedir ao presidente», acrescentou ele em declarações aos meios de comunicação depois de se encontrar com o chefe de governo na Casa Rosada.
«Essa é a prioridade, e o que o presidente deve fazer como chefe do executivo é resolvê-la politicamente», relatou a agência noticiosa Télam.
Nesta linha, Taty Almeida, da Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora, afirmou que Fernández «assumiu um compromisso» durante a reunião. «Foi uma dura troca de opiniões e pontos de vista, ela continua a afirmar que o perdão não pode prosperar», disse ela.
«Acreditamos que pode, tal como acreditamos que a intervenção no sistema de justiça provincial pode prosperar, que é o que viemos apresentar-lhe», sustentou Almeida, alegando que os magistrados que compõem o tribunal «negam a justiça e a lei».
«A confirmação da condenação de Milagro é um facto neste sentido (…) A solução deve ser rápida e eficaz e deve resolver a clara violação dos direitos de Milagro, que sofre há sete anos em prisão preventiva», denunciou o activista.
O Supremo Tribunal de Justiça da Argentina confirmou na passada quinta-feira a sentença de 13 anos de prisão ao líder indígena Milagro Sala por desvio de fundos públicos no âmbito do processo «Pibes Villeros», que também envolve funcionários provinciais e membros de cooperativas.
O supremo tribunal argentino indeferiu o recurso interposto pela sua defesa e acusou o líder social de «associação ilícita» e «defraudar o Estado», de acordo com a agência noticiosa Télam.
O líder do grupo Túpac Amaru fez parte de um esquema que recebeu grandes quantidades de dinheiro público destinado à construção de habitações através de várias cooperativas, a ser posteriormente desviado para Pibes Villeros, entre 2013 e 2015, de acordo com o jornal ‘Clarín’.
Sala já foi condenada em 2017 a três anos de prisão por instigar protestos contra o governador de Jujuy, Gerardo Morales. O líder indígena foi também absolvido das acusações de tentativa de homicídio por alegadamente ter contratado assassinos para matar um homem em 2007.
Tupac Amaru, o grupo que Sala lidera, é um sindicato de natureza indígena que está ligado à Central de Trabajadores da Argentina (CTA). Tem 70.000 membros e está presente em 15 das 23 províncias que compõem a nação do sul.
Fonte: (EUROPA PRESS)






