
O último número oficial de mortos sobe para 25 em confrontos entre manifestantes e forças de segurança no Peru durante protestos que começaram após a destituição do Presidente Pedro Castillo do poder.
Vinte das vítimas pereceram durante marchas e confrontos com a Polícia Nacional e as Forças Armadas em Apurímac, La Libertad, Junín, Arequipa e Ayacucho. Entre os mortos encontram-se quatro menores, segundo o Gabinete do Provedor de Justiça.
A maioria deles eram jovens e viviam em zonas pobres das seis regiões do sul do país, onde se concentra o protesto contra a tomada de posse de Dina Boluarte como presidente do Peru. Segundo o Gabinete do Provedor de Justiça, citado pelo jornal «La República», 20 pessoas morreram em confrontos, aos quais se devem acrescentar cinco vítimas de acidentes ou eventos ligados aos bloqueios.
No decurso das marchas contra Boluarte e o Congresso, 290 polícias foram feridos e 279 civis ficaram feridos. Só no primeiro dia do estado de emergência, nove manifestantes foram mortos por armas de fogo.
Em particular, citam a morte de manifestantes em redor do Aeroporto Alfredo Mendívil Duarte em Ayacucho, onde na quinta-feira morreram oito pessoas e 52 outras ficaram feridas, de acordo com a Direcção Regional de Saúde. Uma nona fatalidade foi acrescentada mais tarde.
EXPLICAÇÕES MILITARES O chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, General Manuel Gómez de la Torre Araníbar, e o chefe da Divisão de Informações dos Chefes do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Brigadeiro-General Rubén Castañeda Layseca, parecem justificar o uso da força em Ayacucho com o argumento de que o ataque ao aeroporto foi coordenado por «vândalos» para impedir o destacamento das forças da lei e da ordem.
Segundo as autópsias dos mortos, a maioria das vítimas morreu de ferimentos de bala no tórax e no estômago, apesar do facto de os regulamentos das Forças Armadas sobre o uso da força proibirem o uso indiscriminado de armas de fogo.
O General Gómez descreveu aqueles que saíram para protestar como «maus peruanos». «Como puderam experimentar a situação, há já alguns dias que os peruanos têm vindo a tentar gerar o caos no nosso amado Peru», disse ele. «Estivemos nesse espaço de tempo, sofremos ataques tanto da Polícia Nacional como das Forças Armadas por parte destes maus peruanos», justificou ele.
Os militares não explicaram porque é que as pessoas fora do recinto foram atingidas por balas. «Porque tentaram eles tomar o aeroporto de Ayacucho? Porque é muito crítico. Serve para transportar pessoal que reforça a segurança e o controlo tanto da Polícia Nacional como das Forças Armadas», disse Castañeda.
«Há alguns grupos radicais que se aproveitam das lacunas sociais da nossa população para os enganar e mostrar-lhes ou levá-los às suas más intenções», disse ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






