
O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, ordenou à milícia Basij, as forças paramilitares sob a mais alta autoridade do Irão, que «castiguem» os «desordeiros e terroristas» que ele acredita estarem por detrás dos protestos que abalaram o país desde a morte sob custódia da jovem curda-iraniana Mahsa Amini, alegadamente por usar incorrectamente o véu islâmico.
Num discurso a centenas de membros desta milícia, Khamenei apontou novamente os Estados Unidos como estando por detrás dos protestos, que ele enquadrou como parte de um conflito mais geral que envolve também negociações com a comunidade internacional sobre o acordo nuclear.
«O campo de batalha é limitado a um punhado de arruaceiros que andam pelas ruas, mas isso não significa que devam ser ignorados. Qualquer causador de problemas, qualquer terrorista, deve ser punido», disse o ayatollah.
O líder supremo iraniano também rejeitou os apelos à reforma na sequência da morte da jovem mulher. «Algumas pessoas sugerem ‘ouvir a voz da nação’, mas a voz estrondosa deste país já foi ouvida pelos dez milhões de pessoas que comemoraram o funeral do mártir Soleimani», disse ele, referindo-se ao proeminente general iraniano Qasem Soleimani, que foi morto num bombardeamento dos EUA no Iraque em Janeiro de 2020.
«A voz da nação», continuou o líder supremo iraniano, «é ouvida nos funerais dos nossos mártires e nos slogans do povo contra o terrorismo e os desordeiros.
Finalmente, o ayatollah saudou a recente vitória da equipa nacional de futebol iraniana contra o País de Gales no Campeonato do Mundo no Qatar e não fez qualquer menção à controvérsia que surgiu nos últimos dias, quando a equipa se recusou a cantar o hino nacional, num alegado gesto de repúdio da repressão dos protestos que custou, segundo as ONG, mais de 400 vidas. «Eles fizeram o povo feliz», disse o líder supremo.






