
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse quinta-feira que Pedro Castillo «sem dúvida cometeu um erro» ao tentar dissolver o Congresso, embora tenha salientado que parte deste «suicídio político e democrático» se deve ao facto de ter sido «encurralado» desde o primeiro dia em que tomou posse.
«Sem dúvida Pedro Castillo estava errado ao tentar usar o artigo da Constituição peruana que permite a dissolução do Congresso que já tinha decidido retirá-lo do cargo sem respeitar a vontade do povo», escreveu Petro no Twitter.
«Pedro Castillo por ser um professor da Serra e um presidente popularmente eleito foi encurralado desde o primeiro dia. Não conseguiu mobilizar o povo que o elegeu, deixou-se levar ao suicídio político e democrático», disse ele.
Enquanto Petro defendeu que os ataques à democracia não podem ser combatidos com métodos antidemocráticos, lamentou o «golpe parlamentar» que tem vindo a ser preparado há meses no Congresso peruano contra Castillo.
«Quando conheci Pedro Castillo, eles estavam a tentar invadir o Palácio do Governo para prender a sua mulher e filha. Ele recebeu-me num estado de desespero. Já estava em curso um golpe parlamentar contra ele. Fiquei surpreendido por eles estarem fechados no Palácio, isolados do povo que os tinha eleito», recordou o presidente colombiano.
Face a estas manobras, Petro insistiu que todas as forças políticas e sociais latino-americanas, tanto progressistas como de direita, deveriam ser regidas pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, apesar do facto de hoje «nem sequer o Secretário-Geral» da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, «a respeitar».
«Não é com julgamentos sem crime, ou com golpes parlamentares, que o progressismo nunca deve imitar, que se construirá um caminho pacífico, sólido e democrático para a América Latina», disse Petro, que comparou o que aconteceu no Congresso peruano com «os golpes parlamentares no Paraguai e nas Honduras».
Petro advertiu que este caminho, que procura acabar com os rivais políticos sem respeitar a decisão das urnas, é o que «pôs fim» ao ex-presidente chileno Salvador Allende e «mergulhou as Américas na ditadura».
«Caberá ao povo do Peru, e a mais ninguém, resolver a crise institucional que surgiu e a ausência de uma verdadeira representação. As minhas saudações e respeito pelo grande povo peruano, os das terras altas e do deserto», concluiu.
Perante esta situação, o presidente colombiano solicitou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) que emitisse «medidas cautelares» a favor de Castillo, dado que «o direito de eleger» e «de ter um tribunal independente» foram violados.
«Solicito à CIDH que aplique a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e emita medidas de precaução a favor do Presidente do Peru, Pedro Castillo. O direito de eleger e ser eleito e de ter um tribunal independente foi violado», exigiu a Casa Nariño.
Na quarta-feira, o Congresso do Peru aprovou a demissão de Pedro Castillo pouco depois de este ter anunciado o encerramento do Parlamento e declarado um governo de excepção, tudo isto no meio de fortes pressões políticas e investigações sobre alegada corrupção contra ele desde a sua tomada de posse em Julho de 2021.
Castillo está agora detido pelo alegado crime de rebelião depois de ter anunciado que estava a dissolver o Congresso, decretando um governo de excepção e apelando a novas eleições legislativas.






