
A República Dominicana rejeitou na terça-feira as acusações de alegadas deportações de menores haitianos depois de terem sido alegadamente separados dos seus pais.
A Direcção-Geral das Migrações do país indicou que não existem casos de menores que tenham sido separados dos seus pais, de acordo com dados que indicam que mais de 150.000 estrangeiros foram devolvidos ao seu país desde 2020.
«Em todos os momentos e em conformidade com as leis da República Dominicana e os tratados internacionais, todas as deportações são efectuadas com total e absoluto respeito pela dignidade das pessoas e pelos seus direitos humanos», disse o director-geral das migrações do país, Venancio Alcántara, em declarações publicadas pelo gabinete presidencial dominicano.
Nesta linha, Alcántara detalhou que existem procedimentos específicos em vigor quando os menores estão envolvidos no processo. «Os menores estão sempre com os seus pais e, quando não foram localizados, os menores são encaminhados directamente para o Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (CONANI), que é responsável pelos seus cuidados», indicou ele.
O esclarecimento do director-geral, de acordo com a declaração do governo, vem depois de a CNN ter afirmado que «a República Dominicana expulsou centenas de crianças para o Haiti este ano sem as suas famílias».
As informações da CNN baseiam-se em dados fornecidos exclusivamente por um porta-voz da UNICEF ao canal de televisão, no qual ele assinalou que a agência das Nações Unidas para as crianças tinha recebido pelo menos 1.800 crianças desacompanhadas que as autoridades dominicanas de imigração entregaram ao Haiti desde o início do ano.
A UNICEF também indicou que «muitos menores chegam sem documentos de identidade», sendo «enviados» para o país entre os adultos deportados.
O governo haitiano criticou a República Dominicana pelo seu «tratamento desumano e degradante» dos migrantes haitianos, após a onda de deportações ter levantado dúvidas mesmo nas Nações Unidas, que na semana passada expressaram também a sua preocupação com este contexto.
Port-au-Prince fez eco de «imagens chocantes» nos meios de comunicação social para instar Santo Domingo a dar «tratamento respeitoso com dignidade humana» aos que atravessam a parte oriental da ilha Hispaniola, partilhada por ambos os países.
O presidente da República Dominicana, Luis Abinader, advertiu na semana passada que o seu governo «continuará a repatriar cidadãos haitianos que se encontram no país ilegalmente», argumentando que a gestão da migração é da exclusiva responsabilidade das autoridades nacionais.
Sob esta premissa, Abinader rejeitou como «inaceitáveis e irresponsáveis» as críticas do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, que apelou ao fim dos «regressos forçados» devido à crise política, económica e social em que o Haiti está mergulhado.
Segundo o Alto Representante da ONU, o Haiti não reúne actualmente as condições de segurança adequadas para o regresso «seguro, digno e sustentável» dos migrantes, dada a «violência armada incessante e as violações sistemáticas dos direitos humanos».






