
O Sindicato Geral dos Trabalhadores da Tunísia, o mais poderoso sindicato do país, anunciou sexta-feira o lançamento da chamada Iniciativa Nacional de Salvação, numa tentativa de dialogar com o governo apenas horas antes da segunda volta das eleições legislativas de domingo, e no meio da crise política que o país atravessa há um ano e meio.
A secretária-geral do sindicato, Nuredin Tabubi, descreveu a iniciativa na sexta-feira como uma tentativa de resolver décadas de crise constante. «Este país está a afogar-se e não temos outra escolha senão sentarmo-nos e conversar», disse ele numa conferência de imprensa relatada pelo website Tunisien Numerique.
A iniciativa, necessária segundo Tabubi dada a fragmentação da oposição política tunisina, limita-se por agora a organizações civis como a Associação Nacional de Advogados, a Liga Tunisina para a Defesa dos Direitos Humanos e o Fórum Tunisino para a Defesa dos Direitos Económicos e Sociais, embora o Secretário-Geral não tenha excluído a participação dos partidos políticos.
Desde Julho de 2021, o Presidente tunisino Kais Saied tem promovido uma série de medidas para reformar o sistema político tunisino, incluindo um referendo constitucional, aprovado em meio a um boicote da oposição, o que reforça os poderes da presidência. A oposição denunciou o desvio autoritário do presidente e exigiu a sua demissão.
A apatia dos eleitores é generalizada. Apenas 11,2% dos eleitores registados participaram na primeira volta do mês passado, a menor afluência às urnas desde a revolta de 2011 que derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali. A legislatura, além disso, terá quase nenhum poder para responsabilizar o presidente.
Fonte: (EUROPA PRESS)






