
A junta militar da Birmânia anunciou na quarta-feira que libertará mais de 7.000 prisioneiros para assinalar o 75º aniversário da independência do país, na sequência das notícias dos meios de comunicação locais de que vários políticos detidos na sequência do golpe de Fevereiro de 2021 serão libertados.
O Conselho de Planeamento e Administração do Estado emitiu um decreto de que 7.012 prisioneiros serão libertados nas próximas horas, com um aviso de que terão de cumprir o resto da sua pena se forem novamente presos por qualquer infracção ou crime, de acordo com a estação estatal de televisão MRTV da Birmânia.
Segundo o portal de notícias birmanês Mizzima News, Zara Aung Ko, que foi Ministra da Religião e Cultura durante o governo da líder de facto Aung San Suu Kyi, e Zan Myint Aung, que era membro do comité municipal regional de Rangoon, foram libertadas no início do dia.
Aung Ko foi condenada em Março de 2022 a doze anos de prisão por corrupção, enquanto Myint Aung foi condenada em Dezembro de 2021 a três anos de prisão por apelar à dissolução da junta militar criada após o golpe de Estado, que foi levado a cabo pelo exército para anular os resultados das eleições gerais de Novembro de 2020, nas quais a Liga Nacional para a Democracia (NLD) ganhou uma maioria parlamentar.
O golpe foi seguido de uma dura repressão contra opositores, activistas e manifestantes que até agora resultou em quase 2.700 mortes e mais de 16.800 detidos – incluindo mais de 13.350 que permanecem detidos – de acordo com a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP) na sua conta do Twitter.
Os protestos iniciais contra o golpe levaram à formação de grupos armados de resistência e ao reforço das milícias étnicas já presentes no país antes do golpe, o que levou a um recrudescimento dos combates em várias partes do país, especialmente no norte.
Neste contexto, pelo menos 42 soldados e milicianos pró-governamentais foram mortos em ataques levados a cabo nos últimos dias pelas Forças de Defesa Popular (PDF), incluindo quase 30 num ataque na terça-feira contra um campo militar na região de Sagaing, segundo o diário birmanês «The Irrawaddy».
Fonte: (EUROPA PRESS)






