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Talibãs abrem debate interno após críticas à última proibição da educação feminina

Pedro Santos

2022-12-23
Arquivo
Arquivo – Mulheres afegãs em Cabul – Oliver Weiken/dpa

O governo Taliban abriu um debate interno para discutir as críticas ferozes à sua última proibição da educação universitária das mulheres no Afeganistão, que recebeu a condenação quase unânime da comunidade internacional, incluindo grande parte do mundo islâmico.

Fontes do Ministério do Interior Talibã disseram à Tolo News que o actual Ministro do Interior em exercício, Sirajudin Haqqani, e o Ministro da Defesa em exercício, Mohamad Yaqub Mujahid, discutiram em privado a possibilidade de inverter a decisão, que foi anunciada esta semana.

Ambos viajarão para a província de Kandahar, lar do líder supremo do movimento fundamentalista Hibatullah Ajunzadah, num futuro próximo «para discutir esta questão na companhia dos líderes religiosos do país», de acordo com estas fontes.

Nas últimas horas, países como a Turquia e a Arábia Saudita condenaram a decisão dos Talibãs, que «não é islâmica nem humana», nas palavras do Ministro dos Negócios Estrangeiros turco Mevlut Cavusoglu.

O ministério saudita, por seu lado, expressou o seu «espanto e pesar» pela negação da educação universitária às mulheres afegãs, uma decisão que «surpreendeu todos os países islâmicos», incluindo alguns tão próximos dos Talibãs como o Qatar.

Em resposta, o Ministro do Ensino Superior do Taliban, Mullah Neda Mohamed Nadim, apelou à comunidade internacional para não interferir nos «assuntos internos» do Afeganistão, na sequência do veto sobre as mulheres nas universidades do país.

«Apelamos a eles para que não interfiram nos nossos assuntos internos. Por um lado, estão a pedir para garantir os direitos das nossas irmãs, enquanto por outro lado estão a impor restrições aos muçulmanos no país», alegou Nadim numa declaração ao canal RTA, relatada pelo canal de televisão Tolo.

Nadim justificou a decisão das autoridades instaladas pelos Talibãs com o argumento de que as mulheres estão a chegar das províncias para as universidades sem companheiros homens, e que existe uma «falta de observância» no vestuário feminino, em relação à obrigação de usar o véu.

Fonte: (EUROPA PRESS)

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