
As Nações Unidas disseram na sexta-feira que os ataques contra civis na Birmânia aumentaram «dramaticamente» e que estão a acompanhar os crimes cometidos pela junta militar birmanesa, por mais «lento» que o processo possa parecer a partir do exterior.
A Birmânia está atolada na guerra civil desde que os militares tomaram o poder na sequência de um golpe de estado em 2021. Desde então, mais de 2.500 pessoas foram mortas em operações da junta e outras 16.500 foram detidas, segundo a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos da Birmânia (AAPP).
«A investigação criminal requer um compromisso a longo prazo para recolher provas», explicou o chefe do chamado Mecanismo de Investigação Independente para a Birmânia, Nicholas Koumjian.
Koumjian fez a sua declaração sexta-feira num comunicado emitido no aniversário do massacre de 35 pessoas em 24 de Dezembro de 2021 pelo exército birmanês na cidade de Moso, como denunciado na altura por ONGs internacionais como a Save the Children, dois dos quais foram mortos trabalhadores durante o massacre. Os seus corpos foram, como os outros mortos, incluindo uma criança, queimados pelos militares.
O chefe do mecanismo da ONU garantiu que, nos últimos doze meses, a sua equipa obteve provas de um «espectro de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Birmânia, incluindo provas de homicídio, violação, tortura, detenção ilegal e deportação forçada», o que se junta a este «aumento dramático de ataques deliberados ou indiscriminados contra civis ou áreas civis, tais como escolas, hospitais ou igrejas».
«As provas não estão destinadas a acumular pó num processo, mas acabarão por ser utilizadas num tribunal para levar os responsáveis à justiça», disse ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






